sexta-feira, 20 de junho de 2008

Reallidade Fantasiosa

Paulo Barmon - 25.09.09

Grande parte da humanidade passa o tempo aprisionado a algo. E nesse algo há sempre a grandeza da coisificação de tudo.

O homem cria um produto destinado à classe alienada que desde a infância foi ensinada a enxergar tão somente a importância do ter.

O ser é visto como algo que não vale a pena. Nós, seres humanos estamos sempre lutando por coisas que em seu sentido não têm valor algum senão pelo que a mídia nos faz acreditar.

Houve uma época em que a religião era a grande mãe do mundo e isso trouxe grandes guerras. Hoje, a mãe do mundo é o consumismo e isso está trazendo grandes guerras. Porém, essas guerras não envolvem interesses coletivos, mas pessoais. E delas se erguem personagens invisíveis que atacam no silêncio. Tais quais a depressão, o medo, a ansiedade, a falta de amor ao próximo. O livro 1984 de George Owell sempre foi, na verdade, uma profecia vindoura. E, embora nossa ignorância nos faça acreditar que temos liberdade, a verdade é que estamos presos. Presos a futilidades, coisas chulas, pensamentos redundantes, filosofias cíclicas.

O homem não vive mais no mundo chamado “terra”. Muito embora caminhe nele, seu pensamento está sempre nas coisas. Objetos, desejos e fantasias.

No final de tudo é que muitos descobrem que as coisas que pareciam mais importantes, na verdade, eram as mais desprezíveis. Outros descobrem isso antes. Porém, só o que lhes restam é conformar-se com a ignorância alheia e com a própria ignorância ao tentar mudar pensamentos.

No final, são os super-heróis humanos que corrompem a própria natureza das coisas. Isso porque não se pode encontrar a verdade naquilo que o homem cria. O homem impõe limites a tudo. E, em toda limitação, há validades, defeitos, imperfeições. A natureza do homem é inconstante.

Seria bom que todos pudessem refletir sobre a frase a seguir: “Onde houver limitações, não haverá verdades”.

Mas, onde está a verdade afinal? Dentro de você? Sim. Entretanto, não é de você que ela parte. Nem da ciência, religião ou achismos. E, embora busquemos meios para explicar tudo à volta, mesmo caindo em contradições, Abandona-se o principio da verdade, fazendo-a assumir a forma de “fantasia”. Um princípio que está em tudo, porém, a cegueira da maioria não os permite ir além. E caso consigam ver, destes poucos, alguns contados manterão os olhos abertos. Porque é mais fácil viver no mundo das interrogações e manter a arrogante posição de "donos do mundo”.

Pode-se dizer que a realidade do homem é a velha fantasia que usurpou o lugar daquilo que ele tanto busca e mantém aprisionado dentro de si.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

As limitações e a abstração dos conceitos humanos

Paulo César Barbosa Monteiro
09/06/08



A abstração consiste em libertar o ser da escravidão dos seus sentidos biológicos. Transformando o ser comum de um estado para outro. Onde a concepção real de tempo quebra a barreira de limites criada pela sociedade desde os tempos primórdios. Onde o tempo perde a divisão limitada de passado, presente e futuro e passa a ser entendida como ciclos de tempo mutáveis, numa constante variação das coisas, objetos e seres. Que não se extinguem, mas evoluem, é a criação transformando tudo e assim, mantendo a continuidade, o infinito. Porque na verdade, todas as coisas do universo são compostas por energia que seguem o mesmo trajeto paralelo rumo à evolução. Porque uma vez que algo exista, não mais deixará de existir devido a essa interruptiva transformação.

Porém, deixará de existir somente diante do conceito humano de que algo que se quebra ou se desfaz, deixa de ser o que era por perder as propriedades limitadas que juntas compunham aquilo como tal e que sem determinadas funções, coisas, pedaços ou elementos deixam de ser (X) para ser Y. Percebendo-se que mesmo as limitações humanas para o tempo e a existência, remetem a transformação das coisas, mas com essas limitações, as coisas acabam por regredir (descem na escala contínua) enquanto que pela abstração (a quebra desses limites, existente sob conceitos, pré-materializados) mostra que as coisas que se desfazem em suas antigas formas, evoluem.

Por isso a causa da imperfeição humana. A limitação mantém-nos isolados em relação ao que poderíamos conseguir pela compreensão do que vem a ser a abstração das limitações. Pois, o conhecimento evolui e está entre as limitações conceituais junto à infinitude da mente. Porém, pomos em prática nossos conhecimentos a 1 km/h, quando poderíamos estar 1 ano luz à frente por meio de uma consciência semi-divina.

Por outro lado, a abstração consiste na maneira sobre como enxergamos o mundo a nossa volta e o mundo em nosso interior, ou seja, o mundo físico e o mundo mental. Ambos são mundos diferentes, mas partes que se completam, onde nós seres humanos somos a matriz conceitual que por meio dos sentidos, criamos visões particulares, estas que faz-nos ser diferentes uns dos outros.

Um ser que busca enxergar as camadas que consiste o mundo sob a forma de pensamento comum, fará comparações e criará opiniões baseado na percepção adquirida, principalmente, por meio de formas e cores.

Num estado semi-divino, as formas e cores não teriam grande importância. Onde passaríamos a ver as coisas a nossa volta sobre a manifestação dos elementos que constituem a existência dessas “coisas” não inicialmente das coisas para os elementos, mas a partir dos elementos (a raiz) até as “coisas” (etapa final); [Quando me refiro às COISAS, direciono-me ao resto do que compõe um todo].

A percepção das coisas

A percepção das coisas variam de acordo com o histórico da vida presenciada por qualquer que seja o indivíduo. Os aspectos observados por experiência própria ou via ensinamento por seus superiores: na infância, os pais, no período escolar, os professores e/ou amigos experientes em determinadas circunstancias. Essa construção de opiniões particulares é moldada de acordo com nossas experiências no âmbito familiar, no trabalho, na escola, ou quando reunidos em grupos de pessoas, no meio de uma discussão. Isso é o que faz com que adquiramos opiniões que partirão de nosso mundo interno para fora, onde todos unirão seus conceitos e assim, formularão outros gerando uma cadeia associativa. O que faz de nossa personalidade algo mutável, nada fixo, estamos sempre em construção, seja evolutiva ou destrutiva. Isso varia de acordo com a imposição das limitações ou abstrações adquiridas, observadas e aceitas por meio da observação a que se presta o ser.