Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

2008 = 1984

Paulo César Monteiro.

20/06/08


Não muito distante do enredo presente na obra de George Orwell, 1984. Encontra-se a humanidade em seus castelos de pedra. Impenetráveis senão por um bombardeio de palavras que atingem a todos... A demasiada tempestade de informações que invadem as casas, ruas e avenidas. Pregando as mesmas palavras, repetidas e distribuídas todos os dias em escala industrial. É a informação.

Tudo o que acontece no mundo vai de encontro com as cabeças pensantes do novo mundo sofista, onde todos persuadem, todos vendem e compram, lucram e perdem. A sociedade se transformou num jogo, onde quem ganha é quem tem acesso ao conhecimento, o grande libertador das antigas revoluções, o mesmo que usado para trazer paz, agora é usado para manter a escravidão. Os homens do poder conhecem e sabem que para crescerem ainda mais dependem da necessidade criada pela ciência e divulgada através da Mídia, para obterem lucro. Com a invenção dos cartões de crédito, a variedade de formas de pagamento, possibilitou a compra de qualquer produto por pessoas de qualquer que seja a classe social.

O mundo mudou... Mas por trás de tantas vantagens existe um grande descontrole. As pessoas passam toda a infância se alimentando de mensagens e promessas que elevam o ego humano. “Para ser bem visto é preciso ter” Eis o lema da era contemporânea, os cartões nada mais são do que armadilhas que impõe o consumidor às dividas. As pessoas trabalham para pagar as dívidas. Todos tentam seguir o ritmado avanço tecnológico, são inúmeras as parafernálias criadas para adornos. O mundo está enlouquecendo, pessoas desfilam nas ruas vestidas de palhaço, o carnaval nunca esteve tão presente, mas os criadores de toda essa invenção ilusória chamam isso de “MODA”. E pela moda, as pessoas se afundam em dívidas.

Enquanto isso, são bombardeadas cada vez mais com promoções! Saias, calças, camisas de 60,00 R$ por apenas 25,00 R$! Grandes queimas de estoque! A mídia não é culpada por isso, afinal, o trabalho dos medias é divulgar. E claro, eles se utilizarão até mesmo do solado de suas botas para publicarem seus produtos.

A TV contamina os telespectadores com programas exibidos em horários inapropriados para menores, fazem apologias "indiretas" de cunho sexual, todos dançam o “Créu!” E acham maravilhoso suas crianças fazendo o mesmo; Os comerciais do mercado cervejeiro estereotiparam as mulheres como produto que se adquire e pode ser facilmente descartado. As mulheres, àquelas que criaram o movimento feminista, perderam a voz, calaram-se diante do machismo, voltaram ao conformismo sedentário rente ao fogão.

A sociedade brasileira se transformou num grande bordel ao ar livre, onde todos, velhos, adultos e crianças tem seu lugar de destaque. As drogas se modernizaram, estão cada vez mais potentes, a política confunde as pessoas sobre quem é o não honesto no meio de tantos escândalos. A violência cresceu e tem em sua estrutura a ajuda de alguns dos que deveriam defender os cidadãos. "É um apocalipse político na floresta de pedra."

O Brasil está crescendo, rumo ao grupo dos países centrais, está subindo os degraus rapidamente, de maneira elástica, mas sem deixar os pés do primeiro degrau. Estamos vivendo um país em plena adolescência. Por vezes responsável e promissor, em outras infatil e chorão.

A base fundamental que compõe a sociedade, a “Família” encontra-se em pura decadência, lastimavelmente rumo à badernice. A educação continua na mesma, o tradicional sistema de ensino. Professores mal capacitados, falta de material, desordem na administração das escolas, etc.

Quanto ao analfabetismo houve uma diminuição significativa, isso porque diplomas estão sendo vendidos como "Iogurtes um dia antes do prazo de validade acabar". Existem muitas maneiras de se enganar a sociedade. Pode-se até imaginar um título para o que poderia ser interpretado como a odisséia brasileira: Cena 1: “Pastores do conhecimento psíquicos tocando as ovelhas programadas pela distração que a tecnologia oferece”;

Alimentando a massa com falsas esperanças, junto a um crescimento que só favorece a classe empresarial e tornam os cidadãos ainda mais devedores.

Por que será que não ensinam as pessoas a administrar o dinheiro? Talvez porque isso gerasse um processo de libertação financeira nas pessoas, talvez porque em todos nasceria um desejo de investir. Mas será que isso não ajudaria mais o país? Sim, ajudaria, porque todos cresceriam juntos, o fluxo de caixa na vida das pessoas seria mais rentável. Mas há manipuladores no poder que possuem suas empresas sujas, que fazem lavagem de dinheiro e obtém lucro do tráfico de drogas, exploração sexual e outras coisas mais. Além disso, as pessoas foramn treinadas a se conformarem com o que é plausível, honroso, belo. Artistas consomem drogas, mas continuam sendo "magnatas da night"; um estranho na multidão com uma bituca de cigarro na boca é "Marginal, pobre, maconheiro, matador, trombadinha, traficante e feio!"

Pelo visto, a “ordem e o progresso” presentes na bandeira não passam de um sonho dos que lutaram pela liberdade deste país que firma um passo em terra firme sem tirar o outro pé da lama. Uma nação controlada, de gentis zumbis do acaso controlados por não se sabe quem, à espera de novos heróis que arregarcem as mangas e tirem o pé esquerdo desse jovem teimoso chamado “Brasil”da lama que o impede de prosseguir rumo à maturidade.

Caso contrário: "A ovelha obediente vira o lobo sedento e, mata primeiro o pastor, antes de levar as ovelhas à perdição."

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

As limitações e a abstração dos conceitos humanos

Paulo César Barbosa Monteiro
09/06/08



A abstração consiste em libertar o ser da escravidão dos seus sentidos biológicos. Transformando o ser comum de um estado para outro. Onde a concepção real de tempo quebra a barreira de limites criada pela sociedade desde os tempos primórdios. Onde o tempo perde a divisão limitada de passado, presente e futuro e passa a ser entendida como ciclos de tempo mutáveis, numa constante variação das coisas, objetos e seres. Que não se extinguem, mas evoluem, é a criação transformando tudo e assim, mantendo a continuidade, o infinito. Porque na verdade, todas as coisas do universo são compostas por energia que seguem o mesmo trajeto paralelo rumo à evolução. Porque uma vez que algo exista, não mais deixará de existir devido a essa interruptiva transformação.

Porém, deixará de existir somente diante do conceito humano de que algo que se quebra ou se desfaz, deixa de ser o que era por perder as propriedades limitadas que juntas compunham aquilo como tal e que sem determinadas funções, coisas, pedaços ou elementos deixam de ser (X) para ser Y. Percebendo-se que mesmo as limitações humanas para o tempo e a existência, remetem a transformação das coisas, mas com essas limitações, as coisas acabam por regredir (descem na escala contínua) enquanto que pela abstração (a quebra desses limites, existente sob conceitos, pré-materializados) mostra que as coisas que se desfazem em suas antigas formas, evoluem.

Por isso a causa da imperfeição humana. A limitação mantém-nos isolados em relação ao que poderíamos conseguir pela compreensão do que vem a ser a abstração das limitações. Pois, o conhecimento evolui e está entre as limitações conceituais junto à infinitude da mente. Porém, pomos em prática nossos conhecimentos a 1 km/h, quando poderíamos estar 1 ano luz à frente por meio de uma consciência semi-divina.

Por outro lado, a abstração consiste na maneira sobre como enxergamos o mundo a nossa volta e o mundo em nosso interior, ou seja, o mundo físico e o mundo mental. Ambos são mundos diferentes, mas partes que se completam, onde nós seres humanos somos a matriz conceitual que por meio dos sentidos, criamos visões particulares, estas que faz-nos ser diferentes uns dos outros.

Um ser que busca enxergar as camadas que consiste o mundo sob a forma de pensamento comum, fará comparações e criará opiniões baseado na percepção adquirida, principalmente, por meio de formas e cores.

Num estado semi-divino, as formas e cores não teriam grande importância. Onde passaríamos a ver as coisas a nossa volta sobre a manifestação dos elementos que constituem a existência dessas “coisas” não inicialmente das coisas para os elementos, mas a partir dos elementos (a raiz) até as “coisas” (etapa final); [Quando me refiro às COISAS, direciono-me ao resto do que compõe um todo].

A percepção das coisas

A percepção das coisas variam de acordo com o histórico da vida presenciada por qualquer que seja o indivíduo. Os aspectos observados por experiência própria ou via ensinamento por seus superiores: na infância, os pais, no período escolar, os professores e/ou amigos experientes em determinadas circunstancias. Essa construção de opiniões particulares é moldada de acordo com nossas experiências no âmbito familiar, no trabalho, na escola, ou quando reunidos em grupos de pessoas, no meio de uma discussão. Isso é o que faz com que adquiramos opiniões que partirão de nosso mundo interno para fora, onde todos unirão seus conceitos e assim, formularão outros gerando uma cadeia associativa. O que faz de nossa personalidade algo mutável, nada fixo, estamos sempre em construção, seja evolutiva ou destrutiva. Isso varia de acordo com a imposição das limitações ou abstrações adquiridas, observadas e aceitas por meio da observação a que se presta o ser.